segunda-feira, 31 de março de 2008

Síndromes

Antes de qualquer olhar hostil e de rispidez, este NÃO é um post informativo sobre tipos de síndromes ou um comentário emo/hipocondríaco/sensitivo afirmando que eu vou morrer.
Hoje a intenção é analisar as p-o-s-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e-s.

Cursando o último ano e preparando (siq) o tal do trabalho de conclusão de curso, visualizo claramente características inerentes a minha pessoa que vem se mostrando cada vez mais perceptíveis. Algumas características que poderiam dar prazer à um "médico dotô" a là novela do SBT ao me dizer: VOCÊ ESTÁ DOENTE.
(vide vídeo número um, com o pseudo-castor-ator, para visualizar melhor o olhar do "médico dotô").

Exemplos:
Segundo o Seu Zé e a Dona Wilma, eu posso ter essa:
A
Síndrome de Peter Pan foi aceite em psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983 The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou "síndrome do homem que nunca cresce", escrito pelo Dr. Dan Kiley. Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos ou sociais. Segundo Kiley, rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, dependência, negação ao envelhecimento.Enfermidade diagnosticada principalmente nas noites de quinta feira e tardes de sábado, em eventos de sociabilização universitária.

Essa é outra:
A
Síndrome de Savant é considerada um distúrbio psíquico com o qual a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência. As habilidades savants são sempre ligadas a uma memória extraordinária, porém com pouca compreensão do que está sendo descrito.
Essa é igual a do Rain Man, sabe? Então, mas eu acho que eu tenho uma síndrome de savant adversa, ou no termo científico: ao contrarius. Porque segundo minha mãe e minha avó, eu sou super inteligente. Aliás, elas já falaram isso várias vezes pra mim, pros meus irmãos e pros meus primos. Só que eu sempre esqueço de tudo. Prova que eu tenho um déficit de memória COM a inteligência extraordinária. CQD.

A saideira, porque depois desse post eu tenho que fazer alguma coisa que eu esqueci:
A Síndrome de Estocolmo (Síndrome Stockholm) é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador.
Eu não fui vítima de seqüestro, mas considere o fato de você não querer fazer algo, e ser forçado a fazê-lo (como um TCC por exemplo), quem sabe pode haver semelhanças. É um seqüestro da sua alma e do seu tempo. E você ainda tende a lutar pela conquista da simpatia do seu orientador. Está tudo ficando claro.

E olha que eu não sou o único, tá cheio de gente com isso por aqui.

terça-feira, 25 de março de 2008

Samba Cerebral


Revolucionar-se-á a massa pensante,
quando golpes musicais iniciarem ao meu redor.
Insurreições diárias, rotineiras e sonoras,
constituem as músicas que tocam em meus mais profundos pensamentos.

A que toca no meu, não toca no seu,
o meu samba não é igual o de ninguém.
É aquele que vai e que vem, caracteriza o meu jeito de ser,
o meu filtro de fatos que chora e que geme, que ri e que chora,
na sombra do pé de amora, que nasceu em minha mente.

O olhar varia de acordo com o ritmo,
e a voz se cala com a intensidade do samba.
O corpo se exalta, canta, e dança,
a rotina musical que me faz viver.

domingo, 23 de março de 2008

O passarinho que morreu quando eu tinha 5 anos

Quando você não reconhece caminho algum à sua frente, é normal olhar para trás.

Hoje, no auge do desespero das incertezas de meu futuro em 2009, comecei a lembrar de momentos singulares de meu passado.

Busquei minhas lembranças mais remotas, e percebi que fui uma criança desmemoriada, de forma a saber de várias coisas que fiz pelos relatos de meus parentes, e não pelas minhas lembranças. Por isso me esforcei para lembrar dos fatos, me direcionando cada vez mais para meu passado.

Num primeiro momento, minhas lembranças se centraram em momentos trágicos, como quando levei um coice de um cavalo, quando abri o queixo com uma cabeçada "sem querer", quando a tevê caiu sobre meu pé...etc. Mas me deparei com minhas aventuras na "rua" de casa. E preferi me focar nestes momentos.

Minha rua tinha vários terrenos, daqueles que você entra e pega um monte de "carrapixos", encontra cabos de vassoura para brincar de espadachim e latas de tinta suvinil usadas. Estes terrenos hoje são (infelizmente) a meu ver focos de dengue, de insetos parasitas e receptores de entulhos de construções. Mas um dia já foram campos de guerra, trilhas de bicicleta, clubes do bolinha e áreas de pesquisa sobre animais silvestres (leia-se grilos).

Minha rua já foi campo de futebol, minha casa já foi o Castelo de Grayskull, e minha mãe já foi o vilão indestrutível que me obrigava a comer cebola. Mas o dia que vou desvendar hoje em minha memória, foi o dia e que a calçada do vizinho foi uma pista de skate.

Com aquelas garagens altas, acima do nível da rua, havia uma "descidinha" na calçada do vizinho digna de carrinhos de rolimã e de crianças sentadas em skates. O auge dessa novidade foi na mesma época em que eu era o último a brincar, regra óbvia, por eu ter sido o último a nascer (filho caçula, carrapato dos irmãos mais velhos, vulgo "sem amigos" ou apenas o mundialmente conhecido "vô contar prá mãe"). Eu devia ter uns 5 anos de idade, e reconheci esta lembrança como top 3 das minhas mais distantes.

Sob o sol das 3 horas da tarde das férias de verão, todos desciam a rampa da garagem do vizinho sentados no skate, menos eu. Enchi o saco de todos até alcançar a glória de descer aquela montanha. Entre o fardo de me aguentar e o de aguentar minha mãe, preferiram me deixar descer com o skate uma vez. Estavam Marcel, Maurício (irmãos), Plínio, Marcelinho, Dudu, Michelle, Gustavo, Zé e Leite. Todos com cara de bosta pra mim. "Anão insuportável" pensavam.

Eis que o incrível aconteceu, talvez o que me fez lembrar tão claramente daquele dia. Depois de descer a rampa e perdê-los de vista na virada da esquina, vi um chiclete redondo, branco, parecido com um pequeno ovo, na calçada. Era mais leve, estranho.
Era um ovo! Pequenino... estava meio rachado. E peguei em minha mão, sem saber ao certo o que fazer (pois isso era um acontecimento incrível para uma criança).

Quando percebi que era um ovo, idiota que sou, terminei de abrir a rachadura que havia notado. Me deparei com um horrível ser rosa, com olhos fechados roxeados e bico alaranjado (bico este que abria e fechava sem fazer soar barulho algum). Devo ter ficado observando aterrorizado aquele ser por muito tempo, suficiente para que meus irmãos viessem impacientes reivindicar seus direitos sobre o skate, naquele momento, esquecido por mim.
"Olha o que eu achei!" frase célebre e clichê de uma criança em estado de êxtase.

"É um filhote de pássaro" disse Marcel, o mais velho, com ar de quem havia visto milhares destes em sua longa jornada de moleque de rua. "Você roubou ele do ninho né, agora ele vai morrer", afirmou, arrancando qualquer sinal de oxigênio de meu pulmão e de pigmentação em minha pele, ao me jogar a culpa pelas mazelas do mundo.

"Nós podemos cuidar dele, nós temos alpiste em casa!" eureka! como eu era esperto.
"Não, ele vai morrer" - Marcel pegando o skate.
"Mas nós..."

"Vai morrer, Matheus" - Marcel com o skate.

"Mas"

"v-a-i morrer! Me dá isso aqui!", Marcel impaciente.
Eu não neguei, pois ele como infinitamente mais esperto e inteligente que eu, saberia o que fazer, tendo a certeza de que a pobre arara azul, ou falcão (eu não sabia ainda) que havia achado, iria morrer se ele não fizesse alguma coisa.

Tive raiva quando meu irmão chegou para todos e mostrou o ovo, como um achado dele... achei incrível como uma coisa que me surpreendeu tanto, também surpreendia grande parte da molecada experiente da rua. Pelo jeito eu não era tão idiota. A alegria de me sentir enturmado durou pouco, pois após alguns minutos de "passagens de mão em mão" do filhote, o recém nascido foi declarado morto.

Segui-os rua acima, desolado. Todos seguiam discutindo sobre o que fazer, atrás de Marcel, que ainda segurava, sob olhar de seriedade absoluta, os restos mortais do passarinho que nunca havia voado.

Paramos diante de um dos diversos terrenos de minha rua, e concordaram (eu não participava das decisões) em enterrá-lo por lá. Me recordo de forma clara do momento ritualístico em que meu irmão cavou um buraco da altura de um palmo de mão, com todos em silêncio, e soltou o falecido no que seria para sempre, "o túmulo do passarinho que morreu depois que o Matheus abriu o ovo logo após descer com o skate na calçada do seu Jorge".

E o triste é que, diferente dos meus irmãos e colegas, tenho essa lembrança como algo único.
Pronto, falei.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Chocolate de soja, e com mágica, por favor.


"Ah! Experimenta vai! Esse é o melhor!"

Era o que meus primos diziam, antes de eu ficar vermelho e inchado.

Você imagine o que é a Páscoa para alguém que é alérgico a chocolate. Não simplesmente alérgico, mas alguém que fica com cara de lagosta bêbada quando dá apenas uma lambidinha sexy nesse doce cheio de malandragem.
Haja Polaramine!

"A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo, uma hipersensibilidade imunológica a um estímulo externo específico. Os portadores de alergias são chamados de “atópicos”."

Recordar é viver. Vocês devem concordar que a Páscoa e o Natal eram períodos realmente mágicos até certo ponto de sua vida, tendo a certeza que você daria um dedo ou dois para ver de perto o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa fazendo seu trabalho de entrega.

(Inclusive, aproveitando este momento, tenho que agradecer à minha mãe por sempre ter sido tão especial e prestativa nos períodos mágicos de minha infância. Lembro de uma Páscoa em que eu e meus irmão tivemos que seguir "pegadas" feitas de talco semelhantes a de um coelho até os esconderijos de nossos ovos, genial. Porém, encontrado o ovo, metade para um irmão, metade para o outro. Imagina se minha mãe queria me levar para o hospital em pleno feriado)
A mágica da Páscoa ia desde momentos como esse até os comercias da tele-sena de Páscoa. Eram bem legais também, o coelhinho dava, além dos chocolates, prêmios para quem fizesse mais e menos pontos, muito gente boa. Pena que meu pai nunca ganhou.
Sei que posso estar parecendo nostálgico como a Dona Wilma falando tudo isso, mas tenho a impressão que "há um tempo atrás" a Páscoa tinha mais sentido. Será que as crianças de hoje montam seus brinquedos do Kinder-ovo sabendo o por quê do ovo? Mas será que devem saber? Talvez saber o por quê do ovo seja o que eliminou toda a magia. Conhecer a história, as tradições, saber da inexistência do coelho...torna tudo muito concreto. É uma burocratização do feriado.
Para vocês pelo menos sobrou o chocolate.
Certamente há a possibilidade de compreender a Páscoa de outra forma que não a Kinderoviniana. Pelo âmbito religioso, por exemplo. Vai saber.
Vamos descobrir juntos um dos verdadeiros significados deste feriado. Para isso, sugiro este site. Escolham Jesus.

O resto é só ladainha.


ps: ovos de chocolate pela metade do preço ou por um capítulo bem feito de meu TCC.

terça-feira, 18 de março de 2008

Impossível de esquecer, mas difícil de lembrar




TCC + Sentimento de culpa por não estar fazendo nada = Coprolalia Aguda. Mais uma madrugada me afronta e as minhas loucuras tendem a sair pelos meus poros como cacos de vidro. Fundem-se lembranças e expectativas, atitudes e vontades, realidade e sonhos.

Sentiu a pressão?

Hoje eu sentei em frente ao computador destinado a escrever um e-mail para meu adorado e respeitável orientador. Me percebi errando ao ficar comendo pão de queijo, vendo tv o dia inteiro, revezando da comida pro sono, do sono pra comida. A gota d'água foi quando percebi que dava pra ver o teto da casa do vizinho da frente pela janela lateral da minha casa, se deitado em posição estratégica no canto da sala de TV. Cúmulo da vagabundice. "Quer saber? vou falar pro tal do doutor que vou escrever 3 capítulos até segunda feira, o baixinho vai ficar orgulhoso." Até que me deparei com a página aberta do Google em minha frente. Me senti estranho, sabia que deveria escrever palavras, nomes de livro e autores que remetiam ao meu tema de pesquisa, quando... de repente... Ouvi o estalo de portas batendo! não bastando o vento que resolvera derrubar a minha casa, senti meus olhos começarem a virar sozinhos até tudo ficar escuro. Minhas mãos, trêmulas, teclaram sem minha permissão 32 teclas."o ócio criativo domenico de masi". Não sei o que deu em mim. Nunca havia ouvido falar de nada semelhante. Eis que jáquetamoaqui, pressionei a tecla ENTER.


Arrá! Deixa o e-mail pra amanhã.


Curiosidades do dia:

segunda-feira, 17 de março de 2008

A hora da verdade II

O projeto do filme tem andado de vento em popa. Acabo de receber a confirmação dos roteiristas, René Moraes e Solange 44 para o desenvolvimento de nosso novo sucesso de bilheteria.
Mas a principal notícia é a confirmação do lêmure Bingbongbang como vilão de nossa história. Segue abaixo o vídeo que recebemos de seu agente.

Post scriptum: J.J. Celso, você sempre soube que seria o diretor desta obra prima. Aguardo informações sobre seu trabalho.

Schwarzenegger's Mama


Depois que você lê um pouco do Veríssimo (o piadista, não o romântico), você percebe que existem centenas de pessoas à sua volta que merecem no mínimo uma nota de rodapé referente às suas caracteríscticas, como uma homenagem às suas singularidades. Segue abaixo uma história fictícia e fantasiosa sobre uma senhora chamada Dona Wilma.

- Pára com essa balhurera desgracenta seus capeta duma figa! - Esbravejou Dona Wilma, com olhos estalados por trás dos óculos fundo de garrafa. Aos 87 anos, a pobre senhora tinha uma percepção de vida ora nostálgica, ora assassina. Ora nostálgica pois foi-se o tempo em que morava em uma vizinhança agradável de senhoras como ela, eufóricas com a beleza de Marlon Brando e que tricotavam ouvindo os clássicos da era do rádio. Hoje Dona Wilma não ri como antes. Tem como vizinhos estudantes universitários, que na sua opinião, ultrapassam todos os dias o limite permitido de decibéis, cometendo crimes como fritar ovos às 23:00h da madrugada.

Ora assassina, pois a essência de sua personalidade beira a fúria quando não consegue, devido os filhos do demônio que moram ao lado, escutar em paz seu LP de Dick Farney.

Escuta risadas na casa ao lado - devem estar drogados - pensa.

- Nestor! Ô Nestor! Ouve só esses moleques...
- Ai mulher, vem ver sua novela e deixa esses meninos em paz...
- Em paz? ha!

Ela não era compreendida. Nestor, seu marido, não tinha bagos o suficiente para lutar pela honra da casa. Era um fraco, segundo Dona Filomena, também remanescente da era abençoada do tricô com chá de erva-cidreira.

À la Janela Indiscreta, Dona Wilma normalmente vai até a frente de sua casa e observa às escondidas a farra dos meninos perdidos ao lado. Quase se sente uma espiã. Normalmente volta para sua casa e matuta sobre as opções existentes para subjugar aqueles que a tanto perturbam. Mal sabe ela que no fim deste ano os jovens pecadores vão embora, e sua existência agora aventureira retornará à monotonia da novela com o Nestor. Ela vai sentir falta.

Curiosidades:
dick farney

domingo, 16 de março de 2008

A hora da Verdade

Se eu produzir um filme, eu chamo esse cara pra ator principal.

A volta da Galinha

Quando se entra na faculdade há uma carga de responsabilidade que se deposita sobre nossa paz de espírito, ou pelo menos alguns acreditam que sim. Muitos tornam-se messias de suas próprias vidas e pensam necessitar de novas características que provem para todos maturidade. Existem os que deixam de ler gibis e compram clássicos da literatura para enfeitar a estante. Os que deixam de assistir "Doug", "Chaves" ou "O fantástico mundo de Bob" para aprender a gostar de documentários da década de 60 sobre a importância da beterraba. No meu caso, resolvi que deveria acordar mais cedo. Vencer a preguiça matinal seria uma prova e tanto da minha mudança de comportamento. Eu seria um "mininu bão".

Para isso, precisaria logicamente de um despertador. Comprei um despertador como este acima, que me retirava da cama rapidamente com "Cocoricós" insuportavelmente eficientes. Ah! Giselda... Agradeci quando ainda no primeiro ano de faculdade esta desgracenta deixou de funcionar, assim como minha luta pela maturidade. Guardei a famigerada galinha em uma caixa de madeira sob minha escrivaninha, desta forma, esqueci sua existência e iniciei minha infância universitária. Se a música em meu quarto não estivesse tão alta, eu certamente teria escutado um "Eu voltarei" da ave de rapina disfaçada.

Três anos depois, mais especificamente na semana passada, tive meu sono invadido pelo fantasma de Giselda. Ouvi seu cocoricó abafado dentro de meu quarto no meio da madrugada. Não podia ser Giselda, ela havia esticado as canelas há três anos. Maldição! Abri os olhos, acendi a luz e observei atentamente a caixa de madeira sob a escrivaninha, não sabia se era sonho ou não, portanto esperei a filha da puta abrir a caixa sozinha. Galinha desgraçada. "Cocoricóóó" ela berrava, mais forte do que nunca. Certo momento acreditei ter visto a caixa trimilicar de maneira serelepe, só podia ser ela. Levantei e fui até a caixa, uma gota de suor escorreu pelas minhas têmporas. O cocoricó estava cada vez mais alto. Abri o caixão da galinha defunta e vi o milagre que só uma pilha duracel pode realizar. Ela havia ressucitado! Ou então apenas voltado do coma, não sei. Os ponteiros deslizavam naturalmente e esbanjavam vivacidade de forma orgulhosa, assim como o cocoricó que eu acabava de calar com um tapa em sua crista. O silêncio foi aterrorizante. Como poderia? mas...hã? tive um início de cãimbra cerebral e preferi parar de pensar. Poucos segundos depois, vi os ponteiros pararem lentamente. Morreu em meus braços...para garantir, tirei as pilhas. Fui até a porta do quarto e olhei pelo corredor para me certificar de que ninguém mais do que eu havia acordado, não havia testemunhas.

A vida é cheia de sinais, esse eu não entendi. Será que é hora de voltar à minha perseguição pela maturidade? Será que devo mandar Giselda para o conserto? Será que devo usar pilhas duracel pelo resto de minha vida? Vai saber... alguém aí quer um despertador?


Música Indicada - "Michael Jackson-Thriller"

Apresentação



Enquanto a música não parar vou latir a noite inteira. Vou caçar a noite inteira. Vou praguejar e esbravejar a noite inteira. Rá! Não, isso não é um funk. São minhas promessas metaforizadas que visam lançar mão de desejos ocultos e coçar as pulgas que me fazem ser quem não gosto de ser (de forma épica, claro). Isso sem esquecer de olhar para os dois lados da rua antes de atravessar.

Vomitarei minhas circunstâncias e fadigas diárias de espírito nesse caderninho moderno. Serão repetições de altos e baixos que representam novidades minimalistas do protagonista que eu vejo e espremo cravos no espelho. Até a hora de acordar e dar bom dia pra Cacilda. E ela que me olhe torto...

Música indicada "Ennio Morricone - The Ecstasy of Gold"