quinta-feira, 29 de maio de 2008

Para o dia que precisar persuadir uma criança a comer frutas


Ahhh! Não quer comer?

Você então não deve saber a história do garoto que dormia subitamente sempre que comia frutas. Uma reação alérgica inusitada, nada comum, que afetava 1 a cada todos os outros garotos nascidos até o momento.

Descobriram que o pobre sofria de Fructusitite sonularis quando quase morreu ao cair do alto de uma goiabeira. Pensaram que era apenas preguiçoso, mas a família passou a se preocupar quando começou a bater a testa na mesa da cozinha todos os dias depois do almoço, coincidentemente quando tinha fruta de sobremesa.

Pois é. O pior é que o coitado gostava de frutas. Babava só de pensar em maçãs, bananas, pêras, melancias, morangos, pêssegos, carambolas, jabuticabas, pitangas, goiabas, amoras, mangas, e principalmente, jambos. Comia até caju o desgraçado.

- Não amarra a boca? Minha mãe disse que é ruim comer caju, bom é só o suco.

- Que nada minina, é uma delí... - POF!

- Adauto? Adauto? Dona Adalgiiiiisa! O Adauto dormiu de novo!

Na escola era pior o sofrimento. A hora do lanche era repleta de lancheiras coloridas forradas de frutas suculentas.

''Merda, odeio doritos''. Pensava. ''Daria tudo por um teco de maçã.''

Triste né?

E você aí, chorando por causa de um limãozinho. Come logo, moleque!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Homenagem à Filomena

Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:

- Que petulância te chamarem de Flor! veja sua pele: é áspera e rude, enquanto a minha é lisa e sedosa... veja seu cheiro: é desagradável e repulsivo, enquanto o meu perfume é
sensual e envolvente. Veja seu corpo: é grosseiro e feio, enquanto o meu é delicado e
elegante... Eu, sim, sou uma flor!

E a couve-flor:

- HELOOOOOU, QUERIDAAAA!
De quê adianta ser tão linda, se "ninguém" te come? Hein?

Vai filó!



Isso que dá falar a verdade.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Método Puta Merda de Aprendizado


Há males que vem para bem. A infalibilidade do mundo e do homem os torna frígidos e de uma arrogância verde-cuspe insuportável. É preciso errar. Para aprender, e para fazer os outros rirem.
Porém, quando se quer fazer tudo certo, existem alguns métodos que nos ensinam a ser mais atenciosos, espertos, astutos, malandrangos. O mais antigo e importante de todos é o método puta merda de aprendizado, recentemente patenteado por mim. Sobrepondo-se aos respeitáveis métodos socrático, suzeleyano e capitão-nascentista, o método puta merda de aprendizado consiste numa inquietação espontânea e intensa da alma. Prolonga-se por alguns segundos pós-acontecimento-indesejado, enquanto profere-se de forma épica o termo ’’puta merda!’’. O aprendizado é subseqüente e imediato. Exemplo:

Você deve R$ 72,50 pro Epaminondas, você não tem dinheiro. A primeira pessoa que você vê ao sair de casa é o... Epaminondas! PUTA MERDA!
Conclusão imediata: Olhar pela janela antes de sair de casa.
Aprende na marra.

De modo prático e de intelectualidade invisível aos olhos de quem vê, este método é observável no dia-a-dia de qualquer ser humano, podendo ter suas ’’aparições’’ classificadas em várias categorias divididas em nível de intensidade. Vamos a elas.

1) Categoria Tommy Lee Jones:
Acontecimentos leves e corriqueiros, Tommy Lee Jones é aquele puta merda dito em pensamento, seguido de uma organização lógica e rápida de soluções possíveis. É o devagar ’’Puuuuuuta merda’’. Exemplo:

Ex.1) Lindo dia, um bom café da manhã, roupa e sapatos novos, rumo ao trabalho. Assoviando Borbulhas de Amor de Fagner, chega ao escritório e nota um cheiro estranho. Ao olhar para baixo, percebe que seu sapato antes novo está repleto de dejetos de um poodle com problemas intestinais. Puuuuuuuta merda.
Conclusão imediata: Morte aos poodles.

Ex.2) Pré-show de sua banda predileta. Pegou trânsito para pegar todos seus amigos folgados: o Queixo, o Câimbra, o Picanha, o Carlinhos e o Nestor.
- E aí galera?! Conhecem a Dorinha?
- Nestor, não sei se vai caber no fusca cara.
- Ah! A gente aperta né?
Segue rumo ao espetáculo. Depois das dificuldades para conseguir vaga no estacionamento, da briga com o flanelinha, da fila que todos furavam e do começo de chuva na parte descoberta da fila, logo você veria sua banda predileta. A não ser aquele cartaz: ’’Ingresso + qualquer quilo de alimento, menos sal e açucar’’. Puuuuuuuuuuta merda.
Conclusão imediata: Persuadir Dorinha de que sua chapinha no cabelo está arruinado pela chuva, e de que Nestor deveria acompanhá-la até sua casa.
- Nestor, deixa o seu quilo de arroz comigo?

2) Categoria Aracy Barabarian
Aquele que você percebe ter falado em voz alta quando te repreendem com olhares hostis e desaprovação. A solução não permite soluções imediatas.

Ex) Depois de um ano de cursinho muito bem pago e bem estudado, nos horários de almoço do serviço, você sabe que aquele momento é único. Você precisa ir bem neste concurso pra alcançar um salário mais digno e uma vida com menos goteiras e miojos. Você responde a primeira questão, a segunda, a terceira, está tudo indo bem. Hora do gabarito, faltam apenas 5 minutos. Você está certo de que foi muito bem na prova. Gabarito preenchido, você arruma suas coisas, levanta, estica a papelada ao cara-de-fuinha que ficou ’’cuidando’’ da sala e lê, sem querer, no rodapé do pequeno gabarito preenchido em azul em suas mãos: Preencher o gabarito apenas com caneta preta. Boa prova.
Puta merda!

3) Categoria Palavrão duplo:
Poucos o conhecem, todos o utilizam. É quando você percebe que de alguma forma, você está na bosta. Esta categoria é visível quando o paraquedas não abre, segundos pré-atropelamentos, coisas do tipo. Costuma-se ouvir putaqueoparius seguidos, putamerdas e algumas vezes um simples: Fodeu.


Depois explico melhor. Isso vai me deixar rico ainda.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Jornalismo invejável

Coisa linda.

O porteiro carente


“Bom dia”, dizem saindo (quando dizem) com sorriso rápido e constrangido. Não ousam perguntar se “ta tudo bão”, pois assim a fuga fica mais difícil. Ele caça olhares, ele puxa assuntos, ele é um porteiro carente.
Lá pelos seus 50 e poucos anos, com bigode pomposo compensando a careca, apresenta-se uniformizado e cheio de sorrisos, com comunicatividade hiperativa e talento para fazer cara de dó quando alguém não lhe dá atenção.
Possui habilidades especiais, destacando-se a de transformar diálogos em monólogos, a de ser onipresente em seu local de trabalho (clones ou controle do espaço-tempo, não sei ainda) e a de despedir-se puxando novos assuntos.

- Sabe o que é... eu tô meio com pressa.

- Claaaro! Só me diz uma coisa, qual seu sabor de pizza predileta?

- Hã? Ah... Acho que frango com catupiry! Por quê?

- Ah! Só pra saber. Eu gosto de frango também! Frango é engraçado, né? Acho que todo mundo gosta. E pensar que tinha vida, e a gente come.

- Pois é.

(silêncio)

- Então, até logo Seu Arnaldo.

- Até! Seu nome é?

- Ulisses.

- Sabe que quando eu era pequeno eu tinha um vizinho que chamava Ulisses? Bonito nome esse. Um dia ele comeu goiaba verde e ficou com dor de barriga dois dias. Eu não como goiaba verde de jeito nenhum.

- LEGAL. Eu tenho um ônibus pra pegar...

- Eu adoro ônibus! Aquelas janelas enormes, né? Pra onde você vai?

- Pra casa, se der tempo.

- E você mora por aqui mesmo? Esse bairro é meio perigoso... sabe que eu acho que vendem drogas por aqui? Esse é um problemão da juventude, né? Drogas... ei! Pra onde você vai?!

É melhor correr. E se você olhar para trás, ele estará com cara de dó.