sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cotidiano IV


Quem diria que me tornaria, depois de arqueólogo de jardim e astronauta de telhado, o arqueiro de um exército. 

- Não pode chorar?
- Não.

Longe dos ossos de frango sujos de terra e da gravidade diferenciada, fecho os olhos pois eles ardem. Fecho e sonho com os sonhos que já tive, os mesmos que foram violentados pelo que não compreendo. 
Caso também não entenda, isso quer dizer que o abismo que vejo de cima não é tão profundo.
E aqueles que me observam esperando o salto, talvez deixem escapar tantos sorrisos que iluminem a noite.

Mas é dia.

''Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula.''

(...)

Me deparo com o momento em que perco minha flecha de vista, e abro os olhos para ver o nada na escuridão do dia.

E mais uma vez, caminho cego pela multidão.