quarta-feira, 8 de julho de 2009

O roubo do Silêncio


O silêncio que machuca e anseia, que desliza e precede acordes ou notas em stacatto é também música que alimenta de forma vazia a alma como lapsos de vácuo no peito.

São pausas respeitáveis, que precisam ser ouvidas sem o corpo, em paz, pelo tempo que for preciso. Reafirmo, o silêncio também é música.

Desta forma, não se deve utilizar notas desnecessárias, acidentes musicais que nos reduzem à angústia do arrependimento.

O silêncio é quem me remete a mim. Um salto despercebido, de olhos fechados, no mais profundo reflexo de mim mesmo.

Pois bem, dito isso, vou direto ao assunto:

Fui roubado.

Quem dera fosse uma ou duas vezes, mas foram várias.

Uma senhorita respeitável, por exemplo, passou rapidamente por minha vida e me roubou Chico Buarque.

Outra, todas bandas inglesas.

A mais bonita me levou o samba.

Estas músicas deixaram de ser acordes e letras inspiradoras. Tornaram-se lembranças, momentos, datas. Não escuto mais nenhuma destas melodias de forma desvencilhada à estas larápias. O vínculo provavelmente será eterno.

Desde então, escuto Sertanejo. Este eu sei que ninguém quer levar.

O fato é que apesar de tudo já citado, não é o roubo do que ouço que me aflige. A aflição reside na existência de uma morena, não a mais bonita nem a mais sorridente, que me levou o bendito silêncio.

Quando o nada atinge meus ouvidos a morena invade meus pensamentos.

Meu Deus, preciso parar de escutar sertanejo urgente.