domingo, 23 de maio de 2010

Tourette caipira




Bem sei o quanto este guardanapo digital alterou seu rumo no decorrer da empreitada.

Nascido de histórias sem pé nem cabeça, desenvolvido através de constatações nostálgicas de uma infância caipira, feliz e sacaneada constantemente pelos irmãos mais velhos, este ambiente e suas palavras se deixaram engolir por uma linearidade seca e entorpecida pela fumaça dos escapamentos.

Morando na capitar, incluí em meu vocabulário palavras como "valoragregado-paraísofiscal-correçãomonetária-juros-rodízio-metrô-trem-chuvaseguidadealagamentoecaos". Pouco a pouco percebi deixar de responder os corriqueiros - "Cê tá bão?" - por termos comuns como "Firme na paçoca", "pindaíba desgracenta" ou o simples "bão".

Talvez porque os "Cêtábãos" foram martelados diariamente por "Bomdias-tudobens-comovais".

Nesta terra se fala como se escreve, e a instabilidade e imprevisibilidade da palavra tendem a ser subjugadas.

Para infelicidade de muitos, esta realidade me causou uma certa incontinência verbal. Espasmos de termos inutilizados de meu passado caipira. São berros, involuntários, em momentos impróprios.

Chefe - "Bom dia, Matheus. Você terminou o relatório que eu pedi?"

"Bom dia LASQUÊÊêRA terminei e enviei para seu email hoje pela manhã, chefe. Caso tenha alguma dúvida AÔÔÔ TREEEM QUE PULA é só avisar.

Logicamente, fui levado ao médico após algumas confusões em reuniões e depois de ser expulso do cinema, quarta-feira passada.

Segundo o doutor, quando ponho ao mundo algum termo remanescente da terrinha através destes impulsos explosivos, devo tomar um remédio chamado "vergonha na cara".

Ele que VÁ CARPÍ NA LAMA.


Um comentário:

Penter disse...

To com medo de ir pra São Paulo!
Vamos ter q organizar um encontro mensal de guaratinguetaenses da capital paulista!