sábado, 5 de fevereiro de 2011

Parênteses

Nunca me entreguei tanto em tamanha demonstraçao de minha essencia.

Minhas pernas bambearam, mas eu segui com olhar firme.

Estava representado. Pintado e mascarado. Único. Como uma impressao digital, ou a superficie de uma iris. A arte invade a pessoa de acordo com sua individualidade e sua propensão a entrega.

Muitos nunca tem a oportunidade de encontra-la.

Muitos a encontram, e se deixam desestimular pelos fatores externos.

Amor.

Fome.

Facebook.

A disciplina de um aluno de piano, ao confrontar a instabilidade e virtuosidade de um blues man com uma gaita sao assombrosas.

O aluno de piano se torna virtuoso quando passa a sentir a musica como o blues man.

Acredito nao haver outra forma de criar, senao vivenciando o que ja foi criado. Um diálogo verificando cada ponto que o compositor onipresente pincelou com sua alma.

Ja fui aluno de piano. Ja fui blues man. Ja fui cansado. Ja fui espuleta. Esfomeado. Apaixonado. Cantor, amigo. Inimigo. Jogador, malfeitor ou apenas namorado.

Filho, jardineiro. Professor, viajante. Paciente, atormentado, viciado, maltratado.

Hoje sou o que me fiz, o que fizeram e o que permiti fazerem.

Sou minhas risadas, gargalhadas afogadas em choros e hipocrisia.

Caimbras, espamos, la menores com setimas e nonas.

Sou minhas fotos, minhas notas, meus textos e meus trabalhos.

Sou meus nao-trabalhos.

Sou cafe, leite e suco. Sou o amor que sinto por ela.

Mordidas e tapas.

Um corpo apenas.

Para tantas almas.

Que sao também, assombrosamente, apenas uma.

Diante do espelho, vejo todos meus eus. Os que gosto, os que quero ser. Aqueles que nao sou. Os que fui e os que nego ser.

Os que procuro esquecer.

O que sou para minha família.

O de meus amigos.


O de minhas professoras.

Sou falso, verdadeiro. Sou indivíduo de uma forma comum e repetitiva.

Permaneço inerte nesse mundo que dinamifica milhares de vidas a cada segundo. E quando menos espero, estou vibrando e me retorcendo como uma corda de violino.

Me quebro, me rasgo. Me solto, vivo. Me sinto preso novamente, corro, sinto, Meu Deus!

Desligo o celular. Tiro a roupa, que calor.

"Nunca pensei que voce fosse assim".

Pois é.

Um comentário:

Joyce disse...

Precisaria de muitos mais parênteses...