sábado, 16 de abril de 2011

O testemunho do que não vi


A idéia de escrever muitas vezes parece ser um tiro no pé.

Digo isso pois quando penso em começar a extrair meus pensamentos, eles parecem não querer sair.

Se amarram, prendem. São como aqueles sonhos absurdos que me espantam quando acordo e que esqueço logo que levanto. Esqueço completamente. Perco qualquer lembrança de meus sonhos pela manhã.

"Como era mesmo?"

Certamente, meus pensamentos não pertencem ao papel, internet ou qualquer outro meio de perpetuá-los. São remendados, ora ou outra, através de diálogos. Mas não representam 0,1% do que deveriam.

Voláteis.

Agora mesmo, quando pensei em escrever sobre algo, esqueci ao ligar o computador.
Escrevendo sobre o fato de esquecer o que ia escrever, carimbo a metalinguagem de meus pensamentos neste blog de uma figa.

Estou em uma sala de quadros com a luz apagada.

É como se existisse uma ponte que separasse meus pensamentos de minha forma de expressá-los. Um turbilhão de idéias que precisam atravessar minha essência através de palavras.

As palavras, que seriam os alicerces desta ponte, são poucas.

O peso das idéias é tanto, que a ponte desmorona.


E eu fico com essa cara de bobo.